meu amor. fugiram-nos os ávidos desejos, as grotescas promessas, os dias de glória e a eternidade. soltaram-se as línguas, as mãos, os gritos que os beijos quase calavam e, por fim, as lágrimas anunciando que o quase nada muda. acabaram-se os subterfúgios para não largar tudo, porque tudo se tornou tão frágil. meu amor. eu não quero regressar aos cantos onde namorámos, nem aos quartos onde fizemos amor. não quero tornar a ler as tuas cartas, porque todas me mentem, todas me agastam e todas têm o mesmo post scriptum, segundo o qual ninguém diria que te cansarias de dizer, de sentir a palavra amor. meu amor. ainda guardo a nossa última promessa, mas, agora que aprendeste o suficiente para poderes ter o que querias, sei que já não queres o que podes ter. meu amor. chamar-te-ia pelo teu nome, se fosse para ti que escrevo. meu amor. ou te enganas, ou me enganaste... que de ti só reconheço a tua face
6 comentários:
Dos teus melhores, Rita.
Podes invadir sempre que quiseres!
Obrigada :$
Tu também escreves muito bem, vê-se a transparência da tua alma nas palavras.
Se calhar engana-se a ele mesmo, e tu acabaste por acreditar naquilo que ele contava a ele mesmo... ele, o teu amor.
Maior beijo *
'se a carapuça te serve'... é para mim Rita ?
ajudava se assinasses.
desculpa, Joana
não, de todo.
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