quarta-feira, abril 22, 2009

mãe. voltei a acordar com o som do teu pranto, ainda que para ti o meu sono se tenha prolongado até ao segundo em que me beijaste a testa, dizendo já é hora., como se para ti o tempo fosse célere, ou como se a tua ansiedade não te enchesse de vontade de gritar que ainda é hora, pois esta hora ainda é tão desgastante quanto a que passou. mãe. voltei a calar as palavras e tu tornaste a beber o silêncio, sem te aperceberes que sugiro bem mais do que digo e que só em papéis se soltam os meus gritos. mãe. os teus soltam-se agora, no exacto momento em que te digo que te amo. mãe. o estrilho que fazes nem te deixa ouvir-me. mãe. se não me ouves, ao menos abraça-te a mim…

1 comentário:

Ana Monteiro disse...

rita, isto entristece-me.

demasiado bem escrito.

<'3