pedi-te que dormisses a meu lado e sei que não houve vazio, nem desconforto, nem saudade que me despertasse desejo de regressar a casa. é certo que são escassas as recordações que tenho dessa noite: nem palavras que tenhamos trocado, nem um sorriso que te tenha oferecido. mas lembro-me do cheiro do meu lar, oriundo da segurança dos teus braços, e de um vulto de um sonho. esse sonho, minha querida, sei ter-to contado na seguinte madrugada, por saber que os frutos da minha inconsciência, tantas vezes associada à desordem, são bem mais decifráveis que a racionalidade do meu quotidiano. confrontada com isto não discordas, mas dizes-me que nada é mais prazeroso que decifrar o meu olhar translúcido, líquido sempre que te abro o meu coração... ainda que, pela ideia de habitualidade, sempre não seja a palavra mais acertada
5 comentários:
E não fosse outra coisa senão refúgio do que se sente!
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Há imenso tempo que não escreves miúda, estás forte? És forte? A vida tente tornado cada vez mais forte? Tão forte que já não precisas da força que as palavras te dão?
ou talvez já não tenha força para dar às palavras. e olha que as palavras, por si só, não valem nada...
é verdade, quando não têm razão de ser mais valem não ser escritas. não há pior do que palavras oucas.
é. mas não queres falar de palavras ocas, pois não?
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