quarta-feira, outubro 13, 2010

foram interpretações... eu ia escrevendo o que sentia, tu ias lendo o que sofrias e quase te sentias compreendida, numa dor que eu nunca conheci; eu ia lendo o que escrevias, entendendo o que percebia, fingindo que não sabia que o que percebia não era o que explicavas. foi neste engano que surgiu a tua paixão desmesurada, que as minhas palavras alimentaram nos teus dias de glória e destruíram nos de desalento. é que as palavras têm essa quase vantagem de serem uma invenção, uma convenção que não pode exprimir nada. repito: nada… a não ser uma aproximação do que se sente. a escrita tem esse quase inconveniente de traduzir um amor-padrão, tão próximo do de todos e tão afastado do de cada um. o nosso amor foram más interpretações. foi um equívoco porque, mais fortes do que as palavras que escrevi, foram os recalcamentos com que as leste. foi um equívoco e uma loucura, foram rabiscos armados em literatura, foi chama de pouca dura, foi a prova de que, por vezes, o que arde não cura… e adoece.

3 comentários:

Anónimo disse...

Este texto esta lindo. Assim como tudo o que escreves. Tenho pena que não te tenhas sentido muito inspirada para escrever textos deste nos ultimos tempos.

Anónimo disse...

adoro o que escreves. as tuas palavras são tão verdedeiras, a tua forma de escrever é tão clara. os teus textos fazem quem os le sentir aquilo que acho que sentiste quando o escreveste.

mywordplays disse...

tenho um pedido a fazer... gostava muito que, quando comentam, se identificassem ;) de qualquer forma, muito obrigada pelas palavras :)