domingo, janeiro 13, 2008

a carta

nevele, 10 de janeiro de 2008
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tento imaginar a tua expressão surpreendida ao leres esta carta. hoje, quando olhei para o calendário, lembrei-me que fariamos dois anos de namoro se a vida o tivesse permitido, e achei que deverias saber toda a verdade sobre nós. quanto a mim, sabes que fui forçado a abandonar portugal poucas semanas depois de ter terminado tudo contigo, confesso que aí estive no natal, é verdade que pensei em ti mas não te procurei e tentei não passar nos sítios que sei que frequentas. minha querida, há precisamente dois anos, eu estava perdidamente apaixonado por ti, acreditei num possível nós mas tu, embora quisesses, não conseguiste amar-me do modo que eu te amei. 'se ao menos pudessemos escolher' - dizias. mas não podemos, e então seguimos caminhos distintos. eu tive-te em mim meses e meses a fio. continuei a alimentar uma esperança qualquer que originou em mim a raiva de nunca te conseguir ter! deixei de gostar de ti. tinha raiva de ti. queria vingar-me, ferir o teu coração porque ele estragou todos os meus planos! não soube compreender e sou fraco demais para aceitar. a verdade é que, anos mais tarde, consegui cativar a tua atenção, o teu amor, mas como já disse, já não era amor o que eu sentia por ti. mesmo assim quis ter-te, desta vez só para te poder desprezar. deixei-te de uma maneira cruel, fiz-te sofrer, mas sei que não merecias. não merecias porque não podemos mandar no nosso coração. por isso, desculpa, mil e uma desculpas por todos os segundos em que te menti, em que te fiz feliz só para te conseguir fazer sofrer. há outra coisa que preciso que saibas, fiz o que me pediste e não tornei a magoar ninguém, a jogar com os sentimentos das pessoas como se fossem de pedra ou de aço. acredites ou não, tenho por ti um enorme respeito e espero, com toda a sinceridade do mundo, que algum dia esse teu coração tão frágil consiga perdoar todas as minhas falhas. sei que palavras não apagam a dor que te causei, mas por trás de toda esta máscara que sabes que uso, há um ser fraco demais para te enfrentar. um ser fraco demais para conseguir olhar nos olhos alguém que magoou, propositadamente.

1 comentário:

Ana Monteiro disse...

<'3

Erros. Passado. Presente.

Nada disto e' concreto.

Procuramos os outros para nos encontrarmos, mas esqecemo.nos qe os outros tambe'm poderão estar perdidos.

Carta. Simplesmente perfeita.

~*