quinta-feira, janeiro 24, 2008

passaram-se quatro anos, beatriz! o martim quis esperar por ti, suspendeu a sua própria vida durante meses a fio, mas a verdade é que não se pode aguardar eternamente por algo que nunca chegará. sei que ele te escreveu cartas que nunca chegaste a receber, umas porque lhe faltou a coragem para enviar, outras porque as vias de comunicação têm uma eficácia duvidosa. ou então foi o destino, embora eu saiba que não acreditas nisso. sabes, beatriz, a verdade é que ele casou! casou porque todos nós procuramos um não sei quê de comodidade que julgamos poder encontrar num casamento. não quer dizer que ele ame a pessoa com quem partilha a casa, o quarto, a cama e as despesas, e sinceramente acho que só se sujeitou a este conformismo para tentar preencher uma espécie de perda que é incontestavelmente impreenchível. não sei se ele é feliz, julgo que não. mas e tu, és feliz? realizaste o teu maior sonho. só que, minha querida, deixaste para trás um amor. deixaste para trás o homem a quem prometeste eternidade, fidelidade. abandonaste o homem a quem chamavas o futuro pai dos teus filhos. lembraste do brilho que trazias no olhar sempre que tinhas a possibilidade de estar com uma criança, de recuar à tua infância? eu só quero perguntar-te se ainda desejas ter um filho.

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