quero roubar-te um beijo com o calor das despedidas, porque me cedes sempre os teus lábios, sem mais nada (nem fogo, nem poesia!), como se amanhã o dia fosse nosso, outra vez. mas o amanhã é puro erro, pura invenção, pura cobardia. e o que é nosso, nosso não seria, se não fosse efémero ou perecível. peço-te o mesmo beijo do primeiro beijo, ainda que noutro banco, ainda que noutra rua, que o encanto nada teve a ver com a conjuntura. a conjuntura é um subterfúgio à verdade que me faz cortar os pulsos, abrindo chagas por onde se soltam as borboletas. mordo o lábio, aperto o punho, misturo dedos e cabelo - o amor faz-se destas bagatelas. e olha que o brilho dos meus olhos nunca dimanou de gritos de crianças, isso foram pequenas metáforas dos dias da tua cegueira, quando ainda sabias que o amor é um pouco de tudo, ainda que não seja muito de coisa nenhuma...
4 comentários:
« ... o amor é um pouco de tudo, ainda que não seja muito de coisa nenhuma... »
Melhor não diria, Rita! <3
Tu sabes como escreves bem. :) *
Obrigado, mas por agora o blog está em standbye :) Parabéns pelo teu também :D
Lindo! :')
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